E é bem possível que isso aqui vire o inferno, como entoam as torcidas nos estádios de futebol. Quero dizer, isso aqui, a internet. Pensando bem, é possível que sobre para o mundo físico também, uma vez que a sociedade dos anos 2000 vive conectada e tudo mais. Lembrando as épocas passadas, acho que não é errado dizer que nunca houve um momento de ebulição ou efervescência sexual tão grande quanto agora. Sim, tivemos os anos 60, sei disso. Mas agora é diferente. Os hippies viveram a liberação sexual. Eu tenho a impressão que a minha geração vive algo perto do descompasso ou da banalização. Antes que as pedras voem, não é puritanismo.
Mesmo depois da revolução dos rapazes e moças de Woodstock, sexo continuou sendo um tabu. Famílias mais tradicionais continuaram tratando o assunto de forma velada, a pílula anticoncepcional foi recebida com muita polêmica e a gíria “periguete” está aí para provar que, para a “audiência pública”, as mulheres ainda não podem fazer o que bem entendem, sexualmente falando. Até que…
Fez-se a internet!
Parafraseando o provérbio, “território vazio, oficina do diabo”. O que poderia ser (e é, em muitos casos, justiça seja feita) um canal para discutir o sexo de forma mais aberta, sem estereótipos ou mistérios, acabou virando um show de horrores. É bom ressaltar que eu falo de manifestações específicas. Não estou generalizando. Segurem as pedras mais uma vez, por favor.
“Vaza vídeo de Fulaninho, que acaba de entrar no reality show mais conhecido do país, se masturbando”. “Fotos de atriz nua são hackeadas e disseminadas pelos quatro cantos do mundo”. Isso é liberação sexual? Parece-me que não. Expor órgãos genitais e registros íntimos de uma pessoa não muda a forma como o sexo é encarado pela sociedade. Tenho a impressão de que deixamos de usar as ferramentas tecnológicas para revolucionar e conquistar algum avanço “ideológico” nessa área, para simplesmente pular do conservadorismo para a vulgaridade. E só. É como se excluir o amor (ou o romance, ou o sentimento, ou o que quer que seja parecido com isso) e encarar o sexo como algo frívolo fizesse de nós uma geração bem resolvida com essa questão.
Não somos. Sobram vídeos, fotos e acrobacias e continua faltando o básico, que é diálogo, intimidade e naturalidade. Falar sobre sexo continua sendo tabu, embora tenhamos feito parecer (com a exibição gratuita e sem sentido das mais variadas cenas sexuais) que é algo totalmente corriqueiro. Será que um dia a gente cresce e começa a falar de sexo como gente grande? Ou será que até “gente grande” vai ser imatura para sempre quando o assunto é sexo? A conferir!