Sempre fui daquelas pessoas que, primeiro, olham a sobremesa no cardápio e, depois, param para pensar no prato principal. Não é à toa, portanto, que eu sou a responsável pelos doces daqui de casa. Na segunda-feira bateu a vontade de comer uma besteira com cara de comida saudável. Ideia genial do dia: pega o morango que está na geladeira e coloca chocolate derretido em cima. Perfeito! Pois é, pareceu mesmo perfeito quando eu pensei, afinal, há algumas semanas, o processo de derretimento do chocolate em banho maria tinha corrido bem e todos ficaram felizes com o resultado.
Morangos lavados, esperando o maravilhoso complemento, chocolate na panela de cima, água na de baixo, colher de pau e, três minutos depois, havia uma maçaroca qualquer dentro do recipiente que parecia tudo, menos um apetitoso chocolate para ser despejado sobre frutas frescas. Evidentemente, bateu o desespero. Por que diabos o chocolate não estava derretendo se a água estava fervendo? Eis que minha mania de ler instruções de tudo (até de embalagem de chocolate) me salvou. Lembrei de ter lido que para derreter o chocolate a água não pode estar fervendo. Retirei imediatamente a panela de cima do fogão e levei para a pia. Em poucos minutos, o chocolate foi derretendo e ficou a delícia que eu queria.
Isso tudo é para mostrar que eu não sou um desastre completo na cozinha. Mentira, não é para isso, mas tá valendo também. Na verdade, esse “causo” – e quase desastre – culinário me fez refletir sobre a vida. (Senta que lá vem história). Eu liguei o fogo na temperatura mais alta para derreter logo o chocolate, porque estava com pressa. Resultado? Se eu tivesse sido um pouquinho mais paciente, a comida teria ficado pronta em dois minutos. Mas, eu acabei perdendo mais tempo tendo que esperar que esfriasse para comer.
O chocolate não derreteu porque eu perdi o ponto da temperatura da água. Achei que sabia o que estava fazendo e fui com tudo. Um detalhe tão pequeno e aparentemente irrisório quase estragou minha noite, afinal, se preparar para comer morango com chocolate e ficar na vontade é de doer o coração.
Não precisa ser um gênio para associar essa adversidade com os morangos aos problemas maiores com os quais nos deparamos diariamente, né? Tem lição de vida para todos os gostos. Cada um que ache a sua. Hoje, eu fico com os mais otimistas. Do mesmo jeito que minha história teve um final feliz – vide foto acima -, gosto de pensar que, na vida, sempre há de haver uma saída, até mesmo dos becos mais estreitos, escuros e mal conservados.
Uma dica? Nunca esquentem muito a água quando quiserem derreter chocolate em barra! ;-)
Atualização – Hoje eu fiz de novo o chocolate derretido e tenho mais uma constatação: pequenas partes funcionam melhor que uma gigante!