Descobri um rascunho desse post abandonado aqui nas minhas coisas e decidi retomá-lo. No início/passado era só crítica. Agora, ainda há crítica, evidentemente, mas a intenção não é a crítica pura. A vontade é fazer um relato (intrigante, para mim) sobre como, em algum momento da vida, nós descobrimos na prática que a apreciação da arte é subjetiva.
O primeiro filme de Allan Stewart Königsberg que eu vi (ou tenho lembrança de ter visto) foi “A era do rádio”, em sala de aula. Para início de história, qualquer pessoa com um pseudônimo já é, no mínimo, interessante. E também, quando eu assisti a esse filme, Woody Allen já não era um “interessante” qualquer. Pois bem. É um bom filme sobre rádio, com recursos narrativos que me deixaram curiosa para mergulhar de vez no universo dos amantes de Allen.
Parti para “Match Point”, uma história sensacional, um filme fantástico, que eu indico para os amigos. Vi outros mais recentes e badalados, alguns, na pré-estreia. E fiquei sempre esperando pelo arrebatamento, pelo momento em que a respiração fica suspensa, pairando pela sala de cinema enquanto os apressados saem sem digerir a obra prima que acabaram de ter diante dos olhos. Sim, eu sei que é polêmico. Sim, sei que eu não conheço nem um quinto da filmografia de Woody Allen. E, sim, podem me chamar de louca. (Ou não). Mas, a verdade inegável é que eu não gosto dos filmes dele.
Vou logo avisando que meu objetivo não é depreciar a obra do cara. Ele tem estilo próprio (exaustivamente imitado), fala das frivolidades da vida de uma forma que só ele consegue e cria diálogos hipnotizantes. Ok. No entanto, até mesmo os fãs mais ardorosos poderiam reconhecer que a idade parece estar pesando. É sempre a mesma fórmula sem graça. Seria intencional? Talvez. De qualquer forma, não me emociona.
Às vezes eu penso que os adoradores de Woody Allen é que são irritantes. E fazem, por tabela, eu criar uma pequena repulsa a ele. Todas aquelas pessoas fazendo dele algo que, para mim, ele não é, incomoda. Aí eu me coloco no lugar dos fãs de Allen, penso no mestre Almodóvar, e lembro que a cegueira é inerente aos apaixonados. Também gosto de me valer de uma frase do próprio Woody Allen, para reduzir minha implicância com ele: “As pessoas sempre se enganam em duas coisas sobre mim: pensam que sou um intelectual (porque uso óculos) e que sou um artista (porque meus filmes sempre perdem dinheiro).”. Gosto disso.
O próximo filme do não-intelectual e não-artista, “Midnight in Paris” estreia em breve. E aí reside o problema. Mesmo me decepcionando com os filmes, não resisto aos tentadores trailers. Veja:
As imagens são lindas (afinal, é Paris, né?), a trilha sonora é um amor e a história é simpática. Tem como não dar mais uma chance a esse velho ranzinza? Só o tempo dirá.
Ah, um registro: lembro de ter ficado extasiada após “Fale com ela”. Pedro Almodóvar Caballero me conquistou de uma vez só, num único suspiro, sem chance para dúvida ou arrependimento. A comparação acaba sendo injusta, eu sei, são diretores totalmente diferentes. Mas é inevitável. Para mim, Almodóvar é brilhante! Sem necessidade de retoques. E eu não poderia deixar de esclarecer isso aqui.