Aluno de jornalismo sofre (mas é feliz)

Ou é feliz (mas sofre).

Daqui a um mês irei me despedir de uma das condições (se é que eu posso chamar assim) que me fez mais feliz na vida: estudante universitária. São incontáveis os bons momentos e é impossível descrever o que isso significou para mim. Para quem gosta de literatura, posso dizer que é como acabar de ler de um bom livro. É claro que você fica feliz por estar chegando ao final, por descobrir o grande segredo daquela história. Mas não deixa de existir sofrimento por estar terminando algo tão bom. Às vezes dá até vontade de ver o livro ganhar umas páginas a mais. Não seria má ideia ficar mais uns meses na faculdade também.

Poderia conhecer novas pessoas, amadurecer mais, viver outras experiências. Certamente iria fazer trabalhos e trabalhos e trabalhos, quebrar a cara, torcer para terminar logo. Mais do mesmo? Provavelmente. Por isso é bom que acabe. Para não saturar, não cansar, não encher o saco e parecer uma fase ruim. Dizem que o segredo do sucesso é parar enquanto se está no auge e que esperar a decadência é um erro. Alguns artistas estão aí para provar isso. Outros provam o contrário. Teorias. Mas, quem sabe, com a faculdade também não é assim.

Vamos considerar que todos que se formam estão no auge. Universitário, pelo menos. É agora a nossa hora de parar, mudar, terminar o ciclo e seguir em frente com toda experiência guardada na bagagem. Que o próximo desafio seja transformador como esse. Que eu continue percebendo que planejar é bom, mas que mudar é melhor ainda. Eu entrei na faculdade achando que me formaria em publicidade e acabei jornalista. Por mais clichê que pareça, eu troquei para jornalismo achando que mudaria o mundo e quem acabou mudando fui eu. Depois de quatro anos, espero que a vida continue mostrando que eu não sei de nada e que nem sempre nós escolhemos o melhor caminho primeiro.

Não sei bem porque eu escrevi esse texto, afinal, tinha planejado uma coisa totalmente diferente. Coisas que não podemos (nem precisamos) explicar. Fica aqui meu tributo aos alunos de jornalismo, principalmente, à turma 2007.1, da PUC-Rio.

Gather ye rosebuds while ye may

Eu adoro citações. Essa aqui de cima é do poema “To make much of time”, do inglês Robert Herrick. Eu conheci pelo filme Sociedade dos Poetas Mortos. Aliás, uma boa indicação que eu deixo aqui.

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