Ao que parece, a sociedade não gosta de palavrões. Ou acha que é feio gostar de palavrões, sei lá. Sempre que alguém reclama ao ouvir um palavrão, eu penso: ‘hipocrisia ou incômodo’? Se isso fosse uma eleição, eu votaria na opção ‘hipocrisia’. Acho que esse negócio de não gostar de palavrão, na maioria das vezes, é falta de ter com o que se preocupar.
Eu não sou defensora dos palavrões, mas, de vez em quando, uso um ou outro, devo admitir. E uso simplesmente porque são expressões da língua muito eficazes para desabafar certos sentimentos, e não para ofender as pessoas. A não ser que a pessoa seja meu irmão, mas isso é coisa que a gente resolve em casa.
É claro que da mesma forma que existem os que realmente se incomodam com um palavrão, tem gente que, se é que eu posso dizer assim, também faz mau uso de “porras” e “merdas”. Alguns indivíduos perdem o respeito. Mas não todos, né?
É besteira condenar o uso do palavrão. É besteira maior ainda achar que quem fala um palavrão aqui e outro ali é desrespeitoso ou não tem educação. Besteira máxima é generalizar. E é por isso que eu vou ficando por aqui e deixo duas provas de que palavrões não são assim tão maus.
Sempre fui daquelas pessoas que, primeiro, olham a sobremesa no cardápio e, depois, param para pensar no prato principal. Não é à toa, portanto, que eu sou a responsável pelos doces daqui de casa. Na segunda-feira bateu a vontade de comer uma besteira com cara de comida saudável. Ideia genial do dia: pega o morango que está na geladeira e coloca chocolate derretido em cima. Perfeito! Pois é, pareceu mesmo perfeito quando eu pensei, afinal, há algumas semanas, o processo de derretimento do chocolate em banho maria tinha corrido bem e todos ficaram felizes com o resultado.
Morangos lavados, esperando o maravilhoso complemento, chocolate na panela de cima, água na de baixo, colher de pau e, três minutos depois, havia uma maçaroca qualquer dentro do recipiente que parecia tudo, menos um apetitoso chocolate para ser despejado sobre frutas frescas. Evidentemente, bateu o desespero. Por que diabos o chocolate não estava derretendo se a água estava fervendo? Eis que minha mania de ler instruções de tudo (até de embalagem de chocolate) me salvou. Lembrei de ter lido que para derreter o chocolate a água não pode estar fervendo. Retirei imediatamente a panela de cima do fogão e levei para a pia. Em poucos minutos, o chocolate foi derretendo e ficou a delícia que eu queria.
Isso tudo é para mostrar que eu não sou um desastre completo na cozinha. Mentira, não é para isso, mas tá valendo também. Na verdade, esse “causo” – e quase desastre – culinário me fez refletir sobre a vida. (Senta que lá vem história). Eu liguei o fogo na temperatura mais alta para derreter logo o chocolate, porque estava com pressa. Resultado? Se eu tivesse sido um pouquinho mais paciente, a comida teria ficado pronta em dois minutos. Mas, eu acabei perdendo mais tempo tendo que esperar que esfriasse para comer.
O chocolate não derreteu porque eu perdi o ponto da temperatura da água. Achei que sabia o que estava fazendo e fui com tudo. Um detalhe tão pequeno e aparentemente irrisório quase estragou minha noite, afinal, se preparar para comer morango com chocolate e ficar na vontade é de doer o coração.
Não precisa ser um gênio para associar essa adversidade com os morangos aos problemas maiores com os quais nos deparamos diariamente, né? Tem lição de vida para todos os gostos. Cada um que ache a sua. Hoje, eu fico com os mais otimistas. Do mesmo jeito que minha história teve um final feliz – vide foto acima -, gosto de pensar que, na vida, sempre há de haver uma saída, até mesmo dos becos mais estreitos, escuros e mal conservados.
Uma dica? Nunca esquentem muito a água quando quiserem derreter chocolate em barra! ;-)
Atualização – Hoje eu fiz de novo o chocolate derretido e tenho mais uma constatação: pequenas partes funcionam melhor que uma gigante!
Descobri um rascunho desse post abandonado aqui nas minhas coisas e decidi retomá-lo. No início/passado era só crítica. Agora, ainda há crítica, evidentemente, mas a intenção não é a crítica pura. A vontade é fazer um relato (intrigante, para mim) sobre como, em algum momento da vida, nós descobrimos na prática que a apreciação da arte é subjetiva.
O primeiro filme de Allan Stewart Königsberg que eu vi (ou tenho lembrança de ter visto) foi “A era do rádio”, em sala de aula. Para início de história, qualquer pessoa com um pseudônimo já é, no mínimo, interessante. E também, quando eu assisti a esse filme, Woody Allen já não era um “interessante” qualquer. Pois bem. É um bom filme sobre rádio, com recursos narrativos que me deixaram curiosa para mergulhar de vez no universo dos amantes de Allen.
Parti para “Match Point”, uma história sensacional, um filme fantástico, que eu indico para os amigos. Vi outros mais recentes e badalados, alguns, na pré-estreia. E fiquei sempre esperando pelo arrebatamento, pelo momento em que a respiração fica suspensa, pairando pela sala de cinema enquanto os apressados saem sem digerir a obra prima que acabaram de ter diante dos olhos. Sim, eu sei que é polêmico. Sim, sei que eu não conheço nem um quinto da filmografia de Woody Allen. E, sim, podem me chamar de louca. (Ou não). Mas, a verdade inegável é que eu não gosto dos filmes dele.
Vou logo avisando que meu objetivo não é depreciar a obra do cara. Ele tem estilo próprio (exaustivamente imitado), fala das frivolidades da vida de uma forma que só ele consegue e cria diálogos hipnotizantes. Ok. No entanto, até mesmo os fãs mais ardorosos poderiam reconhecer que a idade parece estar pesando. É sempre a mesma fórmula sem graça. Seria intencional? Talvez. De qualquer forma, não me emociona.
Às vezes eu penso que os adoradores de Woody Allen é que são irritantes. E fazem, por tabela, eu criar uma pequena repulsa a ele. Todas aquelas pessoas fazendo dele algo que, para mim, ele não é, incomoda. Aí eu me coloco no lugar dos fãs de Allen, penso no mestre Almodóvar, e lembro que a cegueira é inerente aos apaixonados. Também gosto de me valer de uma frase do próprio Woody Allen, para reduzir minha implicância com ele: “As pessoas sempre se enganam em duas coisas sobre mim: pensam que sou um intelectual (porque uso óculos) e que sou um artista (porque meus filmes sempre perdem dinheiro).”. Gosto disso.
O próximo filme do não-intelectual e não-artista, “Midnight in Paris” estreia em breve. E aí reside o problema. Mesmo me decepcionando com os filmes, não resisto aos tentadores trailers. Veja:
As imagens são lindas (afinal, é Paris, né?), a trilha sonora é um amor e a história é simpática. Tem como não dar mais uma chance a esse velho ranzinza? Só o tempo dirá.
Ah, um registro: lembro de ter ficado extasiada após “Fale com ela”. Pedro Almodóvar Caballero me conquistou de uma vez só, num único suspiro, sem chance para dúvida ou arrependimento. A comparação acaba sendo injusta, eu sei, são diretores totalmente diferentes. Mas é inevitável. Para mim, Almodóvar é brilhante! Sem necessidade de retoques. E eu não poderia deixar de esclarecer isso aqui.