À procura do jornalismo perfeito
31/08/2009 at 9:59 am | In Jornalismo | 2 CommentsNo terceiro período de faculdade, um grande professor – dos melhores que já tive na PUC – me alertou para o problema que é quando o jornalista resolve adjetivar o que não deve. É claro que eu já sabia disso, na teoria. Na prática, ele foi mostrando exemplos nos quais eu nunca tinha pensado, até que, um dia, Soares Jr. apresentou à turma, o “clima tenso”.
Desde então, observo a aplicação desta e de outras expressões que querem dizer alguma coisa, mas não dizem nada. E o pior é que o uso delas é mais frequente do que eu gostaria de admitir. No último sábado, dia 29 de agosto, por exemplo, lá estava na capa do jornal O Globo: “Após 7 horas de debates em clima tenso, os presidentes da União de Nações Sul-Americanas saíram de Bariloche sem conseguir na Colômbia o fim do acordo com os EUA sobre o uso de bases. Página 34”. E no subtítulo da página 34, uma variação do mesmo: “Em clima de tensão (…)”. A argumentação contra o uso de “clima tenso” é bem simples. Pode ser que o clima esteja tenso pra mim e não pra você. Quando o Flamengo perde, o clima fica tenso na minha casa, mas pode não ficar na sua. Além disso, quem garante que o meu clima tenso é igual ao seu?
Outra expressão que me incomoda muito é “ações efetivas”. É basicamente o mesmo caso do clima tenso. Se o jornalista vai pra Baixada Fluminense mostrar a falta de saneamento básico numa determinada localidade, porque ele não diz que a população quer saneamento em vez de dizer que ela quer “ações efetivas naquela área”? Aliás, porque essa frase é tão utilizada no telejornalismo, principalmente, em telejornais locais? Algumas pessoas dizem que, na pressa de produzir um noticiário que estará no ar em duas horas – às vezes menos -, o profissional deixa passar pequenos detalhes como esses. Eu entendo, mas acho que essa é uma constante que deveria ser extinta da nossa profissão.
A próxima é “exames clínicos”. De acordo com a Wikipédia, isso nada mais é do que uma avaliação feita por um profissional da saúde a fim de diagnosticar uma doença ou outro eventual problema. Isso também pode ser chamado de exame físico. Ok, a definição é grande, e para evitar repetições, é natural que o termo “exames clínicos” seja citado, mas a verdade é que a expressão já foi adotada pela imprensa como se fosse de “conhecimento público”, e não é.
Não questiono a credibilidade ou a qualidade do profissional que usa essas construções, entendo que o exercício da profissão nos joga em muitas armadilhas que nos desviam do caminho para o jornalismo perfeito. Só espero que um dia, lá na frente, a pressa ou a preguiça, não me façam incorrer nisto que agora eu considero um erro. Afinal, um dos objetivos do jornalista é informar com clareza, e “clima tenso”, por exemplo, fica bem longe disso. Como dizia o Soares, quando você pensar em usar “clima tenso”, descreva o que acontece na cena, mostre o que acontece se você for repórter de TV, e deixe que o espectador tire as próprias conclusões.
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Eu escrevi mais do que o esperado hoje, e ainda tenho uma observação a fazer: quem cobriu a queda do Muro de Berlim, pela Rede Globo, em 1989, foi o jornalista Silio Boccanera. As pessoas costumam achar que foi o Pedro Bial, mas não foi. Em uma entrevista para o Portal PUC-Rio Digital – e em muitos outros momentos -, ele explicou que, na verdade, cobriu a reunificação da Alemanha, em outubro do ano seguinte, quando fez o primeiro ao vivo internacional para o Jornal Nacional.
E como um assunto puxa o outro, não custa lembrar que amanhã o JN faz 40 anos. Mas isso já rende outro texto…
40 é o novo 30?
05/08/2009 at 11:14 am | In Pessoas | 1 CommentTags: Balzac, balzaquiana, mulher, sex and the city
Minha chefe me falou isso e eu fiquei pensando nessa ideia. Depois de rever o filme “Sex and the city” e alugar a primeira temporada do seriado homônimo, conclui que sim, talvez 40 seja o novo 30. Ou, como sugere o final do longa, 50 pode ser tornar, em breve, o novo trinta.
O que eu percebi é que agora, a balzaquiana eternizada pelo escritor Honoré de Balzac em “A mulher de trinta anos” se expandiu. Em meados do século XIX, Balzac apresentou ao mundo uma protagonista madura, que mesmo atormentada por problemas amorosos e sentimentais, encontrou outra beleza em si, a maturidade. Nessa época, ele revolucionou e desbancou as mocinhas de 20 anos que reinavam nas páginas dos romances. Hoje, no início do século XXI, as trintonas admiráveis não perderam a majestade. Elas apenas dividem as luzes da ribalta com outras bem-sucedidas mulheres, de 40 anos, 50, de todas as idades.
E enquanto eu pensava nesse texto, assistia “Caminho das Índias” e percebia quantos exemplos de mulheres bonitas com diferentes idades há na novela. Juliana Paes acabou de fazer 30 anos, segundo a Wikipedia. Brilha na passarela do samba, usando trajes mínimos e também como uma indiana, que não mostra o corpo. Débora Bloch está na novela, no filme “À deriva”, na casa dos 40 e com tudo em cima. No elenco há outras belas mulheres, como Maitê Proença, que tem 50 e Vera Fischer, com quase 60.
Mas beleza não é a questão principal quando se fala do amadurecimento da mulher. Por isso, pra fechar a lista, uma mulher, que não é admirada apenas pela beleza: a médica e sanitarista brasileira Zilda Arns. Ela já passou dos 60, foi indicada, em 2006, ao Prêmio Nobel da Paz e trabalha para que o Brasil seja um país mais justo, visando o bem-estar, principalmente, de crianças e idosos.
Todas essas, cada uma à sua maneira, mostram que, mesmo dois séculos depois, Balzac continua certo. Ele afirmou que “a fisionomia da mulher só começa aos trinta”. Só começa, sem data pra acabar. E, assim sendo, eu, que ainda não cheguei lá, termino com uma frase da personagem Carrie Bradshaw, de Sex and the city, o filme: “Enjoy yourself. That’s what your 20s are for.”
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Uma atualização necessária, afinal, essa matéria é mais do que pertinente a esse post. Com a palavra, Sharon Stone.
Era apenas meu primeiro dia de estágio
21/07/2009 at 11:58 am | In Cinema | 1 CommentTags: Apenas o fim, apenasofim, erika mader, gregório duvivier, matheus souza
Houve um tempo em que eu quis fazer publicidade. Faz um ano e meio, sei lá. Não importa. Eu só sei que no dia 14 de janeiro de 2008, quando eu entrei na PUC pela primeira vez como estagiária do Portal PUC-Rio Digital, eu não fazia ideia de que hoje teria algumas histórias pra contar por causa do jornalismo, muito menos de que eu realmente trocaria de habilitação. Hoje, aqui estou eu, escrevendo como uma futura jornalista.
“Apenas o fim” tem tudo a ver com a história que eu acabei de contar. Nesse mesmo dia 14 de janeiro, o filme estava sendo gravado lá nos pilotis, o que gerou uma movimentação inesperada para o período de férias. Mesmo assim, eu deixei de lado o instinto curioso de jornalista que eu ainda não me preocupava em ter e passei direto, rumo à redação do Portal, para conhecer meus novos companheiros, minha nova chefe, tudo novo. Mas “Apenas o fim” estava me perseguindo, não tinha como ignorar. Entre os estagiários novos, dois faziam parte da equipe de gravação. Todos os dias eles sempre falavam do filme, dos novos detalhes, das novas escolhas, das novas descobertas… Em meio a tanta informação e novidade, eu passei a amar algo que eu nem conhecia. Assim como foi com o jornalismo, durante esse mesmo período.
Entretanto, mesmo tendo virado uma “fãzinha” do filme, somente um ano e meio depois eu descobri o que realmente era “Apenas o fim”. Entre outras coisas, posso dizer que é uma nova possibilidade pro cinema brasileiro. Um filme simples e bem feito. Uma vontade que aconteceu, não ficou só no papel. Um olhar realmente diferente da sociedade brasileira – especificamente dos jovens -, um retrato suave, que se destaca do que estamos acostumados em ver nas telas. Os diálogos são divertidíssimos, a fotografia é ousada e muito bonita e, pra quem estuda na PUC, ainda tem um gostinho especial de (re)conhecer o campus junto com o casal de protagonistas.
Parabéns para toda a equipe, que acreditou e confirmou a velha máxima que diz que cinema se faz com “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”. E eles não se contentaram com qualquer cinema, não, fizeram um de muito bom gosto!
Para os interessados, o filme está em cartaz nos seguintes locais:
Sobre pessoas e buzinas
17/07/2009 at 10:58 am | In Pessoas | 3 CommentsTags: Apenas o fim, buzina, Soares
Quando eu comecei a fazer aulas práticas na autoescola, descobri que o mais difícil quando se aprende a dirigir é lidar com as outras pessoas. Ok, todo mundo SEMPRE fala que você tem que dirigir por você e pelos outros, mas o negócio é muito mais sério quando se está atrás do volante.
Eu, por exemplo, ia bem com as minhas voltas pelo quarteirão até o dia em que parei no sinal. Claro que o sinal não foi o problema. A questão é: por que um amável taxista buzinaria pra uma pessoa que está aprendendo a dirigir antes mesmo que a porcaria da luz verde estivesse acesa? Eu não sei a resposta, só sei que o carro morreu. Não uma, mas três vezes, isso sem falar na sinfonia particular de buzinas à qual tive direito. Todo mundo criou coragem a buzinou até não poder mais.
Foi nesse dia que eu comecei a pensar como seria o mundo se as pessoas tivessem buzinas internas. Antes, eu pensava que o verdadeiro caos seria instaurado se nós fossemos sinceros 100% do tempo, com todo mundo. Mas no dia que eu deixei o carro morrer pela primeira vez, eu percebi que o caos seria a buzina interna universal.
Fila do banco no 2º dia útil do mês. Sempre tem um impaciente que não espera as pessoas andarem e fica grudado em você, fazendo uma espécie de pressão psicológica. Imagina essa pessoa com uma buzina. Considerando, então, Freud e a psicologia das massas, o resultado só pode ser um: caos.
Ou então, ônibus lotado, 7 horas da manhã – ou 5 da tarde, pode escolher. Você e mais muitas pessoas estão lá, em pé, esmagadas. De repente, alguém quer descer. “Com licença”? Claro que não, a buzina seria bem mais prática. E é óbvio que outras pessoas buzinariam de volta, logo, caos.
Enfim, onde quer que você imagine pessoas com buzinas, o resultado não vai ser positivo. Assim como sempre existe o paciente, sempre existe o nervosinho. Portanto, acredite, buzinas são perigosas.
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Coloquei um link novo nos “Aprovados”. É o blog do Soares Júnior, grande jornalista, professor, amigo e blogueiro.
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No próximo texto vou falar sobre o filme “Apenas o fim”, do Matheus Souza. Pra quem pretende assistir antes disso, deixo uma dica: segundo fontes seguras , há uma surpresinha depois dos créditos. Não, não sei dizer o que é porque mesmo sabendo da cena extra, eu fui embora antes. Esqueci! Se alguém souber e quiser contar, eu agradeço, mas coloca um aviso de “spoiler” no comentário.
Ah, pra quem não conhece, veja o trailer e corra pro cinema mais próximo!
Aos reis!
11/07/2009 at 7:46 pm | In Pessoas | 2 CommentsTags: 50, carlos, homenagem, jackson, michael, roberto
Michael Jackson. 50 anos de vida. Duas semanas depois da morte dele, os repórteres já não ocupam mais a porta do rancho Neverland. E os fãs desolados vivem a última emoção. Esse rei está dominando o centro do Rio.
CDs, DVDs, livros, posters, pra quem quiser fazer compras, a oferta é grande. Pra quem só quer curtir o tributo ao criador de Billie Jean, Thriller e Ben, uma caminhada pela Rua da Alfândega é suficiente para um show de imagem e de som. O passeio é divertido, eu garanto.
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Roberto Carlos. 50 anos de carreira. Duas horas antes do grande show comemorativo, repórteres estão na porta do Maracanã para não perder os detalhes da preparação. E os fãs, ansiosos para viver mais uma emoção. Esse rei está dominando o noticiário.
Depoimentos de fãs ilustres, no jornal; as músicas que ele mais gosta de cantar, na TV; e a marca pessoal dele, na internet. Ficou curioso? Então clica aí porque a indicação é boa, eu garanto.
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Fica aqui minha lembrança aos reis mais comentados da semana. E minha homenagem também! Tim tim!
Um pouquinho de FLIP e uma pitada de sorte
10/07/2009 at 10:32 am | In Cidades | 2 CommentsTags: FLIP, Paraty
No último fim de semana, eu descobri que a 7ª Festa Literária Internacional de Paraty não é só mais uma atividade cultural entre tantas outras. Aliás, o que quer que ela represente, pode ter certeza que passa longe do trivial.

Tenda dos autores, minutos antes da conversa entre Gay Talese e Mario Sergio Conti. / Foto: Aline Veloso
Instalada numa cidade que não é apenas bonita, mas também limpa e lar de moradores pra lá de hospitaleiros, a FLIP é uma ótima oportunidade pra quem gosta do cheiro de terra molhada inundando as ruas, de presentear o estômago com deliciosos quitutes ou “simplesmente” de esbarrar em um grande mestre do jornalismo.
E quem sabe, se a maré estiver ao seu favor, você ainda volta pra casa com algumas dicas valiosas. Uma delas, eu compartilho com vocês:
“Pra conquistar tudo – isso não tem a ver só com jornalismo, mas com qualquer outra coisa – você tem que ter a atitude de fazer o que você quer fazer.” – Gay Talese, jornalista.
Parece simples – assim como a FLIP – mas, às vezes, é o detalhe que faz a diferença.
Pra ver um pouco do que é a FLIP e conhecer algo do que eu faço, basta clicar. Aproveite! E comente também.
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